sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Racha na milícia que já foi de Ecko leva guerra à Zona Oeste do Rio; pelo menos três pessoas foram mortas

Em 16 de setembro de 2021 


Rio de Janeiro  - Sete veículos foram incendiados em Campo Grande e Santa Cruz. Tandera ordenou ataques na região de Zinho depois que duas pessoas foram executadas na Baixada.


Um racha na maior milícia do estado levou a uma manhã de terror em diferentes pontos da Zona Oeste do Rio nesta quinta-feira (16). Pelo menos três pessoas foram mortas, vans foram incendiadas e moradores relataram intenso tiroteio.


A Estrada de Campinho chegou a fechar. Viações retiraram ônibus de circulação ou alteraram rotas em Santa Cruz, Paciência, Sepetiba, Campinho e Campo Grande, para preservar a vida de motoristas e passageiros. Vans deixaram de rodar na região.

A TV Globo apurou que o grupo paramilitar que já foi de Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em uma ação da polícia em junho, se dividiu em facções rivais e opôs os antigos aliados Danilo Dias Lima, o Tandera, e Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho — este, irmão de Ecko.

Ecko já tinha rompido com Tandera no fim de 2020, por desentendimentos.
As quadrilhas dos paramilitares de Ecko, Tandera e Zinho extorquem dinheiro de moradores e comerciantes, a fim de oferecer uma pretensa segurança, e exploram diversas atividades — como o sinal clandestino de internet e TV, o monopólio da venda de água e de gás e o transporte por vans.

Execução como estopim

O ataque desta quinta teria partido de Tandera, que domina áreas da Baixada Fluminense, como Seropédica e partes de Nova Iguaçu. O estopim para o confronto foi a execução, na tarde desta quarta (15), de duas pessoas na Estrada de Madureira, na altura do bairro Dom Bosco, um dos redutos de Tandera em Nova Iguaçu.
Em represália, Tandera ordenou que se incendiassem veículos na área de Zinho. Os milicianos atearam fogo a pelo menos sete vans nos pontos da Praça da Alegria, em Campo Grande, na Rua Agai, em Paciência, e na Avenida João XXIII, em Santa Cruz. Na invasão, uma terceira pessoa foi morta.

Porta-voz da PM, o major Ivan Blaz afirmou que desviou para Campo Grande e Santa Cruz todo o efetivo então mobilizado para uma operação na Vila Kennedy.
“Nossa missão é prioritariamente estabilizar a área. Assim que a Polícia Militar tomou ciência dos primeiros ataques às vans, nós desviamos todo o nosso efetivo que estava empenhado em uma operação na Vila Kennedy”, detalhou Blaz.

“Nossa missão é acabar com esta luta entre quadrilhas de milicianos. Somos o Estado, somos a sociedade, não podemos nos render a esta situação”, destacou.

Blaz citou ainda “números extremamente positivos”. “São mais de mil milicianos presos, mais de R$ 2 bilhões em prejuízo a estas quadrilhas. O que precisa ser feito está sendo feito e continuaremos, não vamos nos render”

Danilo Dias Lima se tornou o miliciano mais procurado do Rio após a morte de Ecko. A recompensa por Tandera aumentou de R$ 1 mil para R$ 5 mil.
Tandera, que ganhou o apelido por ter uma tatuagem com o olho de Tandera, do desenho Thundercats, chefiava a milícia no bairro do Jesuítas, em Santa Cruz, Manguariba e Palmares.
Danilo também ficou responsável pelas “franquias” da maior milícia do Rio em Seropédica, no Km 32, e do bairro Alvorada, em Nova Iguaçu.
Após ter se desentendido com Ecko no final de 2020, Tandera se aliou a Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho, um dos chefes da milícia que atua na Praça Seca e no Campinho, na Zona Oeste.

Danilo é conhecido por ser extremamente violento e lavar o dinheiro da milícia com cavalos de raça, fazendas e outros bens.
Porém, apesar da movimentação no início da semana, sua influência continua restrita a Manguariba, Jesuítas, localidade onde foi criado, e seus locais já conhecidos na Baixada Fluminense.

Segundo o delegado William Pena Júnior, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Zinho herdou a chefia da milícia logo após a morte do irmão, Ecko, em 12 de junho deste ano.
Poucos dias depois da Operação Dia dos Namorados, em que Ecko foi morto, a Polícia Civil já monitorava as alianças de Zinho com antigos homens de confiança do irmão para assumir o comando da milícia de Campo Grande, Santa Cruz e Paciência.

Zinho é considerado um homem de perfil mais ligado às atividades de lavagem de dinheiro da milícia. Como o G1 revelou em 2018, na série Franquia do Crime, Zinho era sócio da empresa Macla Comércio e Extração de Saibro que, segundo a polícia, faturou R$ 42 milhões entre 2012 e 2017.
Em janeiro de 2019, a Polícia Civil confiscou a mansão de Zinho na Barra da Tijuca, avaliada em R$ 1,7 milhão. Zinho não estava em casa no momento da chegada da polícia, e desde então está foragido.

Então o criminoso mais procurado do RJ, Wellington da Silva Braga, o Ecko, foi morto em 12 de junho na Operação Dia dos Namorados.

A Subscretaria de Inteligência obteve informações de que Ecko visitaria a mulher e os filhos na Comunidade das Três Pontes, em Paciência, naquele dia. O delegado Rodrigo Oliveira convocou quatro agentes para a primeira reunião, ainda na quinta, e somente 21 policiais foram para Paciência.
Ecko chegou à casa da esposa por volta das 4h. Horas depois, a residência foi cercada pela força-tarefa. O miliciano percebeu a presença da polícia e tentou fugir pelos fundos, mas outra equipe o interceptou, o que deu início a um tiroteio. Ecko levou um tiro.
Já rendido, o bandido tentou pegar a arma de uma policial dentro de uma van. Foi após essa tentativa de fuga que o miliciano levou um segundo tiro, chegando sem vida ao Hospital Miguel Couto.

Fonte : G1

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