sábado, 3 de janeiro de 2026

Jovem é picado supostamente por uma aranha e mãe faz desabafo por mau atendimento em Itaguaí


Itaguaí
- Um jovem chamado de 18 anos chamado João, foi picado por uma aranha venenosa na última quinta-feira, dia 1, primeiro dia de 2026 no bairro Piranema em Itaguaí. A mãe, ao ver a gravidade do ocorrido, tentou atendimento na rede pública municipal de saúde. No entanto, não só não conseguiu o soro contra o animal peçonhento, como teve um atendimento ruim por onde passou, diz ela. Com a situação de desespero, ela desabafou nas redes sociais, dizendo que o atendente foi demorado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Itaguaí e que o jovem foi levado num carro da família para o Hospital Pedro II em Santa Cruz, e não por uma ambulância que a unidade municipal deveria ter disponível. 





O curioso, é que recentemente o atual prefeito interino, Haroldo Jesus, o Haroldinho do PDT, quando estava à frente da presidência da Câmara Municipal, fez duras críticas ao governo de Dr Rubão, prefeito até então, pelo que ele considerou um mau atendimento e pelos mesmos problemas que ocorreram agora nesta semana, sob sua atual gestão. Vale relembrar, que assim que assumiu a prefeitura, novamente de forma interina, Haroldo fez um desfile de ambulâncias na cidade. Ambulâncias essas que não estavam disponíveis para a família do jovem picado agora por uma aranha e levado à UPA da cidade. 


Desfiles de ambulâncias quando retornou interinamente à prefeitura de Itaguaí 


Quando ocorreu a tragédia com o jovem Miguel de 13 anos em novembro do ano passado, até ao velório do adolescente o atual interino foi, mas até o momento não se pronunciou, não se explicou e nem demonstrou solidariedade a família do jovem picado pela aranha venenosa. 


Cabe lembrar que em casos de picadas de animais peçonhentos, o município não tem a obrigação de ter nem o soro antiofídico (para cobras), o soro antiaracnídeo (SAAr - aranhas) e o soro antiescorpiônico (escorpião). Mas, quando houve o caso de Miguel, o atual interino relatou que iria, junto à Câmara Municipal, responsabilizar o prefeito da época e até uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para a área da saúde chegou a ser aberta pelo Poder Legislativo. Derrubada posteriormente pela justiça. 

 
Dessa vez não quis falar

O município, através da Câmara Municipal e da Prefeitura de Itaguaí, podem requerer junto ao governo federal, os soros,  e que o município possa ser uma base para o combate a essas picadas, visto que estamos cercados por áreas rurais. No entanto, recentemente, duas picadas deixaram claro que em novembro, a parte política era mais interessante que a parte de resolução em sí do problema. Ainda mais clara agora, com o total silêncio do prefeito interino e de vereadores que se manifestaram no ano passado e agora como secretários municipais se calam.

Em 2021, o atual gestor foi contra uma matéria do ex-vereador Gilberto Chediac Dias Leitão, mais conhecido como Gil Torres, que solicitava que Itaguaí fosse polo no combate a picadas de animais peçonhentos. 


Em caso de picadas, veja como proceder 

O Ministério da Saúde disponibiliza uma lista de hospitais de referência para atendimento em acidentes com animais peçonhentos em seu portal oficial. É aconselhável ligar para a unidade de saúde local para confirmar a disponibilidade do soro no momento do atendimento. 

Aguardamos um posicionamento da Prefeitura Municipal de Itaguaí. 

Entenda o caso político de Itaguaí:

O presidente da Câmara Municipal, está exercendo neste momento a função de prefeito interino, pois o candidato mais votado na eleição do ano passado, Dr Rubem Vieira, o Dr Rubão do Podemos, foi afastado após a queda de uma liminar, que estava em vigor desde junho, do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Rubão obteve mais de 20 mil votos em 2024, mas, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), ele estaria exercendo um suposto terceiro mandato, o impedindo de tomar posse em janeiro deste ano. Na ocasião, Haroldinho assumiu interinamente no começo de 2025 ficando até junho, quando a liminar de Toffoli concedeu a Rubão o direito a volta. Liminar essa que deixou de estar em vigor no final de novembro, após tese do Supremo Tribunal Superior (STF), sobre o que era considerado terceiro mandato. Na tese, há elementos que podem culminar num retorno de Rubão, contudo, a liminar concedida precisa sair de cena, visto que em sua redação, constava claramente que quando houvesse qualquer decisão de um colegiado, ela deixaria de ter validade. Algo que ocorreu. Segundo o STF, quem assumiu um governo após uma destituição de um prefeito, desde que seis meses antes do pleito, com aval judicial e sem transitado em julgado, não contabilizaria como terceiro mandato.

 A defesa de Dr Rubão, diz que os elementos são suficientes para o cumprimento de seu mandato, pois o mesmo assumiu em 10 de julho de 2020 de forma provisória, sendo eleito em 15 de novembro do mesmo ano. Portanto, ele ficou de forma provisória num mandato "tampão" por quatro meses antes do pleito. Ainda, devido aos réus, prefeito e vice-prefeito à época terem recorrido à justiça para um possível regresso de seus mandatos, e os pedidos terem sido negados até o final de 2020, houve também uma decisão judicial sobre o caso. Além disso, quando afastados em março daquele ano, e terem conseguido retornar menos de 30 dias após suas cassações, o prefeito e o vice-prefeito à época, tinham condições de continuar recorrendo em seu segundo afastamento, o que evidencia que não havia transitado em julgado pelos tribunais o caso dos políticos. Tanto que em 2023, Abeilardinho conseguiu na justiça, inclusive, recuperar os seus direitos políticos, sendo que, deveria tê-los de volta, apenas em 2028. Abeilardinho se candidatou em 2024 para vereador. Todas essas situações englobam a tese do Supremo Tribunal Federal, que diz que quando há menos de seis meses antes do pleito, quando alguma decisão judicial afasta o Chefe de um Executivo, bem como não há o transitado em julgado pela justiça. 

Em todo esse imbróglio, o que temos hoje é a certeza de um governo provisório, até que a justiça defina se Dr Rubão retorna e finaliza seu mandato até o final de 2028, ou se haverá novas eleições municipais. 

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