Policiais civis da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) deflagraram, nesta quinta-feira (16/07), a “Operação Placebo” para desarticular um esquema criminoso de comercialização de medicamentos oncológicos falsificados. A investigação revelou que uma empresa oferecia remédios de alto custo para pacientes e hospitais utilizando produtos sem qualquer eficácia terapêutica. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos bairros de Guadalupe e Vista Alegre, na Zona Norte do Rio, onde foram apreendidos diversos medicamentos irregulares e os responsáveis pelo empreendimento foram conduzidos à especializada para prestar depoimento.
A investigação teve início após uma informação de inteligência indicar a atuação de uma empresa de materiais médicos e hospitalares vinha oferecendo um medicamento indicado para o tratamento de leucemias e linfomas. Durante as diligências, os agentes acompanharam as negociações realizadas pelos alvos e constataram que uma única caixa do remédio era oferecida por até R$ 34 mil, sempre mediante pagamento antecipado e sob o argumento de que a alta procura nos hospitais teria elevado o preço.
A fraude foi confirmada após análise técnica concluir que o produto era totalmente falso. O número do lote impresso na embalagem sequer existia nos registros de produção global da fabricante.
As apurações também revelaram que os responsáveis pelo esquema utilizavam a própria formação profissional para dar aparência de legitimidade ao crime e atrair vítimas vulneráveis. Uma das investigadas e sócia do esquema é uma enfermeira especializada em auditoria de contas médicas e assuntos regulatórios. Ela utilizava da expertise para burlar trâmites e gerenciar as vendas da empresa. O companheiro dela, um estudante de direito, era o segundo sócio. Ele possuia um amplo histórico em licitações públicas e era responsável por operacionalizar as tratativas. A DRCPIM apura, ainda, se a atuação de familiares ligados à área da saúde facilitava a circulação dos produtos ilícitos em ambientes hospitalares.
Para escapar da fiscalização sanitária, os sócios declararam que a empresa funcionava apenas como um “simples escritório” administrativo, obtendo licenciamento simplificado. Na realidade, o imóvel operava como depósito clandestino e centro de distribuição de medicamentos, sem qualquer controle de temperatura, armazenamento adequado ou autorização específica para esse tipo de atividade.
Durante as diligências desta quinta, os policiais apreenderam medicamentos comercializados sem a licença devida. Todo o material será submetido à perícia para verificar sua origem. Eles são investigados pelos crimes de falsificação, corrupção e adulteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, delito considerado hediondo, além de crimes contra as relações de consumo.
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