A nota assinada pela presidente do instituto, Fernanda Pereira da Silva, tranquiliza os aposentados e pensionistas. "Não haverá qualquer impacto no pagamento da folha previdenciária do instituto e 13º salário"
Itaguaí - O Instituto de Previdência de Itaguaí (ITAPREVI) informa, desde logo, que possui investimentos distribuídos entre diversas instituições financeiras sólidas e amplamente reconhecidas no mercado nacional, incluindo Banco do Brasil, Banco Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco e Banco Master, compondo portfólio diversificado e orientado pelas diretrizes da Política de Investimentos e pelas normas federais aplicáveis aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).
Diante das recentes revelações a respeito da fraude bilionária envolvendo o conglomerado Banco Master, vem a público reafirmar seu compromisso permanente com a transparência e esclarecer que é vítima, e não parte, de um dos maiores escândalos financeiros recentes do Sistema Financeiro Nacional.
Importante destacar que não haverá qualquer impacto no pagamento da folha previdenciária do ITAPREVI, tampouco no pagamento do 13º salário de aposentados e pensionistas, uma vez que o Instituto mantém fluxo financeiro, reservas e aplicações suficientes para garantir integralmente todas as obrigações previdenciárias. Todos os benefícios serão pagos dentro da normalidade.
Em relação aos investimentos realizados pelo Instituto no Banco Master, estes ocorreram nos dias 28 de junho e 03 de julho de 2024, período em que o Banco se encontrava plenamente regular perante as autoridades regulatórias, e até a liquidação do conglomerado ocorrida na última terça-feira, todas as obrigações estavam adimplentes, incluindo o pagamento da amortização anual em 2025.
O ITAPREVI aplicou o valor total de R$ 59.600.000,00 em duas operações financeiras realizadas em junho e julho de 2024, ambas em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S/A. Tais aplicações foram integralmente lastreadas em análise técnica, amparadas pela Política de Investimentos 2024 aprovada pelo Comitê de Investimentos e pelo Conselho Municipal de Previdência no exercício de 2023, pela Resolução CMN nº 4.963/2021 que disciplina os investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social, e pelas diretrizes de governança e diligência emanadas do Ministério da Previdência Social.
À época das aplicações (junho e julho de 2024), o Banco Master preenchia todos os requisitos legais, prudenciais e de governança exigidos para receber investimentos de um RPPS. O Banco constava na Lista Exaustiva de Instituições Financeiras aptas, publicada pelo Ministério da Previdência Social, possuía rating A-(bra) pela Fitch Ratings, classificado como grau de investimento e baixo risco, com balanços auditados pela KPMG, e encontrava-se no Segmento Prudencial S3 do Banco Central, e estava formalmente credenciado junto ao ITAPREVI.
Além disso, após cotação entre diversas Instituições Financeiras previamente credenciadas, o Banco Master apresentou a melhor proposta de remuneração do mercado naquele momento, oferecendo retorno de IPCA mais 7,80% ao ano, com pagamento de cupom anual, o que assegurava maior previsibilidade de fluxo de caixa e alinhamento à meta atuarial. Todas as aplicações foram realizadas exclusivamente em Letras Financeiras reguladas pelo Banco Central e autorizadas para RPPS pela Resolução CMN nº 4.963/2021.
O relatório financeiro mais recente demonstra que o ITAPREVI possui patrimônio total de R$ 607.594.852,53, alcançando patrimônio líquido de R$ 314.142.619,92 em outubro de 2025, valor que reflete a evolução dos recursos previdenciários e a eficiência da gestão.
O Instituto encerrou o exercício de 2024 com retorno acumulado de 7,55%, equivalente a 75,80% da meta atuarial, mesmo diante da ausência de votação pela Câmara Municipal do projeto de lei que tratava do parcelamento e reparcelamento dos débitos do Município com o Instituto.
No ano de 2025, entre janeiro e outubro, o ITAPREVI alcançou rentabilidade acumulada de 11,54%, frente à meta de referência de 8,02%, ou seja, desempenho 43,89 % acima da meta de 100%. As aplicações no Banco Master permaneceram integralmente adimplentes até a liquidação, com pagamento regular dos cupons anuais de juros em junho e julho de 2025.
Com o rebaixamento do rating do Banco Master em 09 de setembro de 2025, o ITAPREVI adotou imediatamente os procedimentos previstos na Resolução CMN nº 4.963/2021 que caracteriza essa situação como desenquadramento passivo.
Entre as providências adotadas, destaca-se a expedição de notificação formal ao emissor, a solicitação de plano de reenquadramento regulatório, a avaliação das medidas jurídicas cabíveis para salvaguardar o patrimônio previdenciário, e o registro de todas as ações na APR com acompanhamento permanente pelo Comitê de Investimentos. Em todas as etapas, o ITAPREVI atuou com rigor técnico, governança adequada e observância integral das normas aplicáveis, mantendo monitoramento contínuo da situação financeira e regulatória do emissor.
É relevante esclarecer que até 07 de setembro de 2025 não havia qualquer restrição prudencial emitida pelo Banco Central contra o Banco Master. O Bacen não havia rebaixado o segmento prudencial da instituição, o Banco continuava autorizado a emitir ativos financeiros normalmente, e não havia encaminhado ao Ministério da Previdência qualquer recomendação para a retirada do Master da Lista Exaustiva.
O relatório técnico financeiro e contábil do ITAPREVI registra expressamente a estranheza técnica diante da ausência de medidas restritivas por parte da autoridade monetária, mesmo após sinais de deterioração identificados pela Fitch.
Os fatos amplamente divulgados pela imprensa revelam que o Banco Master captava mensalmente bilhões de reais em CDBs através das principais plataformas de investimento do país, ao mesmo tempo em que movimentava cerca de R$ 41 bilhões de reais em CDBs, R$ 14 bilhões em carteiras de consignado e R$ 2 bilhões em Letras Financeiras.
A descoberta de fraudes dessa magnitude atinge não apenas o ITAPREVI, mas dezenas de RPPS, empresas privadas, estatais, gestores de fundos, o Banco da Amazônia, o BRB e milhares de investidores pessoa física.
A posição do ITAPREVI, correspondente a menos de 0,10% de tudo o que foi captado pelo conglomerado Master, demonstra a dimensão sistêmica desse caso e evidencia que todos os investidores confiaram em informações oficiais, certificações e auditorias que agora se revelam fraudulentas.
Os números recentemente divulgados evidenciam falhas gravíssimas de supervisão e uma combinação de conveniência e leniência por parte das autoridades responsáveis pela fiscalização. Plataformas financeiras continuaram distribuindo bilhões de reais em CDBs, acumulando lucros bilionários, enquanto o Banco Central manteve a instituição operando sem qualquer restrição até o momento final.
O resultado desse colapso será absorvido pelo Fundo Garantidor de Créditos – FGC- e pelos investidores afetados. A responsabilidade sobre tais fatos, incluindo a atuação do Banco Central, do Ministério da Previdência, da Fitch Ratings, da KPMG e de quaisquer agentes envolvidos, será discutida judicialmente, pois o ITAPREVI é vítima e não parte desse esquema criminoso.
Por fim, cabe destacar que o investimento no Banco Master representa menos de 20% do patrimônio líquido do Instituto e que a saúde financeira do ITAPREVI permanece sólida, com rentabilidade acumulada superior à meta atuarial em 2025 e sem qualquer risco de desequilíbrio ou inadimplência previdenciária.
O Instituto reafirma seu compromisso absoluto com a proteção dos aposentados, pensionistas e servidores ativos, e permanece à disposição dos órgãos de controle, da imprensa e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Itaguaí, 24 de novembro de 2025.
Fernanda Pereira da Silva
Presidente do Itaprevi
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